Tratamento

sábado, 10 de agosto de 2013

No Brasil, a distribuição geográfica da malária é extensa. A área endêmica original, delimitada nos anos 50 por meio de estudos entomológicos e detecção de casos, abrangia cerca de 6,9 milhões de km2 do território brasileiro. Na Amazônia onde, ao final de 2004, viviam cerca de 22 milhões de habitantes, verifica-se uma concentração crescente de casos de malária nos últimos anos passando de 94,9% em 1980, para 99,7% dos casos em 2004, sendo que dos estados amazônicos, neste último ano, o Amazonas é o que concentra o maior número absoluto de casos de malária.

Embora o País apresente uma extensa superfície de seu território onde há risco de transmissão de malária, este não é o mesmo em todas as áreas geográficas, originando níveis endêmicos diferentes na dependência da variedade e intensidade de associação dos fatores de risco.
A Amazônia possui características geográficas e ecológicas altamente favoráveis à interação do parasito (plasmódio) e do mosquito vetor (anofelino), com os fatores socioeconômicos, políticos e culturais, determinando um nível de endemicidade, classificados como áreas de baixo, médio e alto risco malarígeno.
Já na área não-endêmica, as condições não são muito favoráveis à interação dos fatores que determinam a malária. A baixa receptividade e vulnerabilidade, que são condições criadas pela presença do anofelino vetor, pela presença de indivíduos portadores de parasitos e a existência de outros fatores que favorecem a transmissão da doença, são desfavoráveis ao reestabelecimento da transmissão, o que impõe a manutenção permanente de um sistema de vigilância para a malária, objetivando detectar precocemente a introdução de casos novos da doença.
Considerando a capacidade de combinação entre os diversos fatores que participam do processo de transmissão, pode-se identificar três estratos de risco com níveis endêmicos diferenciados: alto, médio, baixo e áreas sem transmissão de malária.

Fatores de Risco e Estratos Epidemiológicos
 Fator de risco para a malária é qualquer variável ou conjunto de variáveis que tenham relação direta com a incidência da malária, ou seja, qualquer condição que aumente a probabilidade de surgimento, agravamento e morte pela doença num determinado momento. Os fatores de risco podem ser classificados, entre outros, como:

- Biológicos – relacionados à população suscetível, agente etiológico e presença do vetor;
- Ambientais – modificações do meio ambiente, temperatura, umidade e presença de criadouros;
- Econômicos – relacionados à baixa renda, ao desemprego e às condições de trabalho, moradia e migrações;
- Socioculturais – relacionados ao nível educacional, hábitos e costumes culturais e religiosos;
- Infraestrutura de Serviços de Saúde – relacionados à insuficiência de serviços de saúde.

Referência

NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 11ª ed. São Paulo: Atheneu, 2010. p. 152.



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