No
Brasil, a distribuição geográfica da malária é extensa. A área endêmica
original, delimitada nos anos 50 por meio de estudos entomológicos e detecção
de casos, abrangia cerca de 6,9 milhões de km2 do território brasileiro. Na
Amazônia onde, ao final de 2004, viviam cerca de 22 milhões de habitantes,
verifica-se uma concentração crescente de casos de malária nos últimos anos
passando de 94,9% em 1980, para 99,7% dos casos em 2004, sendo que dos estados
amazônicos, neste último ano, o Amazonas é o que concentra o maior número
absoluto de casos de malária.
Embora
o País apresente uma extensa superfície de seu território onde há risco de
transmissão de malária, este não é o mesmo em todas as áreas geográficas,
originando níveis endêmicos diferentes na dependência da variedade e
intensidade de associação dos fatores de risco.
A
Amazônia possui características geográficas e ecológicas altamente favoráveis à
interação do parasito (plasmódio) e do mosquito vetor (anofelino), com os
fatores socioeconômicos, políticos e culturais, determinando um nível de
endemicidade, classificados como áreas de baixo, médio e alto risco malarígeno.
Já
na área não-endêmica, as condições não são muito favoráveis à interação dos
fatores que determinam a malária. A baixa receptividade e vulnerabilidade, que
são condições criadas pela presença do anofelino vetor, pela presença de
indivíduos portadores de parasitos e a existência de outros fatores que
favorecem a transmissão da doença, são desfavoráveis ao reestabelecimento da
transmissão, o que impõe a manutenção permanente de um sistema de vigilância
para a malária, objetivando detectar precocemente a introdução de casos novos
da doença.
Considerando
a capacidade de combinação entre os diversos fatores que participam do processo
de transmissão, pode-se identificar três estratos de risco com níveis endêmicos
diferenciados: alto, médio, baixo e áreas sem transmissão de malária.
Fatores de Risco e Estratos Epidemiológicos
Fator
de risco para a malária é qualquer variável ou conjunto de variáveis que tenham
relação direta com a incidência da malária, ou seja, qualquer condição que
aumente a probabilidade de surgimento, agravamento e morte pela doença num
determinado momento. Os fatores de risco podem ser classificados, entre outros,
como:
-
Biológicos – relacionados à população suscetível, agente etiológico e
presença do vetor;
-
Ambientais – modificações do meio ambiente, temperatura, umidade e
presença de criadouros;
-
Econômicos – relacionados à baixa renda, ao desemprego e às condições de
trabalho, moradia e migrações;
-
Socioculturais – relacionados ao nível educacional, hábitos e costumes
culturais e religiosos;
-
Infraestrutura de Serviços de Saúde – relacionados à insuficiência de
serviços de saúde.
Referência
NEVES, David Pereira. Parasitologia humana.
11ª ed. São Paulo: Atheneu, 2010. p. 152.

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