Apesar
de muito antiga, a malária continua sendo um dos principais problemas de saúde
pública no mundo. Estimasse que a doença afeta cerca de 300 milhões de pessoas
nas áreas subtropicais e tropicais do planeta, resultando em mais de um milhão
de mortes a cada ano, na grande maioria, crianças.
A
malária foi primeiramente citada por Hipocrátes na era pré-Cristã, foi ele que
descreveu suas características de decorrência sazonal e de febre com padrão
paroxístico (em maior intensidade) e intermitente. Entretanto foi somente no
inicio do século XIX que o termo malária teve origem. Escritores italianos
defendiam a tese de que a doença era adquirida ao se respirar o ar pestilento
dos pântanos (mau área), ou mau ar. Outras denominações dessa doença são: paludismo,
febre palustre, impaludismo, maleita ou sezão.
Em
1880, o médico francês, Charles Louis Alphonse Laveran, conseguiu observar os
organismos em movimento ao examinar, a fresco, o sangue de um paciente com
malária. A descoberta de que a doença era uma hemoparasitose foi posteriormente
confirmada por Gerhardt, em 1884, que conseguiu produzir a doença a partir da
transfusão de sangue entre uma pessoa doente e uma pessoa sadia. Em 1885, Golgi
e cols. descreveram o ciclo assexuado do parasito (por isso denominado cilo de
Golgi), sem contudo identificar a espécie. Em 1885, Marchiafava e Celli,
criaram o gênero Plasmodium, para
designar os agentes da doença e em 1891, Romanowisky, inventou um método de
coloração e descreveu a morfologia desses parasitos sanguíneos.
Formas principais do Plasmodium - A – Forma esporozoíto; B –
Forma merozoíto.
Quanto
à transmissão, continuava a incógnita.
Se naquela época os cientistas estivessem dado atenção aos conhecimentos
das pessoas residentes em zonas onde encontravam a malária, a transmissão
poderia ter sido descoberta antes, pois negros da África Oriental e os
abissínios já sabiam que, quando desciam das montanhas acompanhando o gado e
eram picados por mosquitos adoeciam de uma “febre mosquito” também denominada
MBou e Binbi. Em 1884, Manson, ao estudar a transmissão de Wuchereria bancrofti por mosquitos, levantou a hipótese de que os
mesmos poderiam ser os transmissores da malária.
Lâmina de Wuchereria bancrofti.
Ronald
Ross em 1897, trabalhando na Índia descobriu oocistos no estômago de mosquitos
que haviam se alimentado sobre um paciente com malária. No ano seguinte, e ainda
na Índia, Ross conseguiu transmitir a malária aviária, passando o plasmódio de
ave a ave através de um mosquito do gênero Culex.
Esses estudos permitiram que os pesquisadores italianos Gassi, Bastianelli e
Bignami, em 1898 e 1899, tivessem a glória de descobrir o desenvolvimento
completo das três espécies de plasmódio humano em anofelinos. A partir do
conhecimento do ciclo de vida do parasito, diferentes estratégias de ataque a
doença tem sido propostas visando a interrupção da sua transmissão.
Referências
NEVES, D. P. Parasitologia Dinâmica. – 3. ed – São
Paulo: Atheneu, 2009. p. 190.
NEVES, D. P. Parasitologia Humana. – 11. ed. – São
Paulo: Atheneu, 2010. p. 143.


Nenhum comentário:
Postar um comentário