Tratamento

sábado, 10 de agosto de 2013

INTRODUÇÃO A MALÁRIA

Apesar de muito antiga, a malária continua sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Estimasse que a doença afeta cerca de 300 milhões de pessoas nas áreas subtropicais e tropicais do planeta, resultando em mais de um milhão de mortes a cada ano, na grande maioria, crianças.
A malária foi primeiramente citada por Hipocrátes na era pré-Cristã, foi ele que descreveu suas características de decorrência sazonal e de febre com padrão paroxístico (em maior intensidade) e intermitente. Entretanto foi somente no inicio do século XIX que o termo malária teve origem. Escritores italianos defendiam a tese de que a doença era adquirida ao se respirar o ar pestilento dos pântanos (mau área), ou mau ar. Outras denominações dessa doença são: paludismo, febre palustre, impaludismo, maleita ou sezão.
Em 1880, o médico francês, Charles Louis Alphonse Laveran, conseguiu observar os organismos em movimento ao examinar, a fresco, o sangue de um paciente com malária. A descoberta de que a doença era uma hemoparasitose foi posteriormente confirmada por Gerhardt, em 1884, que conseguiu produzir a doença a partir da transfusão de sangue entre uma pessoa doente e uma pessoa sadia. Em 1885, Golgi e cols. descreveram o ciclo assexuado do parasito (por isso denominado cilo de Golgi), sem contudo identificar a espécie. Em 1885, Marchiafava e Celli, criaram o gênero Plasmodium, para designar os agentes da doença e em 1891, Romanowisky, inventou um método de coloração e descreveu a morfologia desses parasitos sanguíneos.



Formas principais do Plasmodium - A – Forma esporozoíto; B – Forma merozoíto.

Quanto à transmissão, continuava a incógnita.  Se naquela época os cientistas estivessem dado atenção aos conhecimentos das pessoas residentes em zonas onde encontravam a malária, a transmissão poderia ter sido descoberta antes, pois negros da África Oriental e os abissínios já sabiam que, quando desciam das montanhas acompanhando o gado e eram picados por mosquitos adoeciam de uma “febre mosquito” também denominada MBou e Binbi. Em 1884, Manson, ao estudar a transmissão de Wuchereria bancrofti por mosquitos, levantou a hipótese de que os mesmos poderiam ser os transmissores da malária.

Lâmina de Wuchereria bancrofti.

Ronald Ross em 1897, trabalhando na Índia descobriu oocistos no estômago de mosquitos que haviam se alimentado sobre um paciente com malária. No ano seguinte, e ainda na Índia, Ross conseguiu transmitir a malária aviária, passando o plasmódio de ave a ave através de um mosquito do gênero Culex. Esses estudos permitiram que os pesquisadores italianos Gassi, Bastianelli e Bignami, em 1898 e 1899, tivessem a glória de descobrir o desenvolvimento completo das três espécies de plasmódio humano em anofelinos. A partir do conhecimento do ciclo de vida do parasito, diferentes estratégias de ataque a doença tem sido propostas visando a interrupção da sua transmissão.

Referências
NEVES, D. P. Parasitologia Dinâmica. – 3. ed – São Paulo: Atheneu, 2009. p. 190.

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. – 11. ed. – São Paulo: Atheneu, 2010. p. 143.


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