Tratamento

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Tratamento em Áreas com P. falciparum não resistente

Em região com alto índice de contaminação da Malária, com população parcialmente imune, onde haja dificuldade para fazer o diagnostico microscópio, pode-se dar o tratamento presuntivo, porem as crianças e os indivíduos não imune devem receber um tratamento radical. No tratamento presuntivo, a posologia para pessoas adultas é de 600 mg de cloroquina-base por via oral, um só dia ou seja 4 comprimidos. Já no tratamento radical com cloroquina, a ser administrado aos pacientes com confirmação parasitológica de infecção, deve prolongar-se por três dias:

1 ° dia 600 a 900 mg de cloroquina ( e para crianças, 10 mg por quilo de peso corporal, divididos em 2 ou 3 doses com 4 a 6 horas de intervalo
2° dia 300-450 mg de base (para as crianças, 5 mg/kg de peso)
3° dia 300-450 mg de base (para  as criança, como acima)

Administrar depois dose única de 45 mg de primaquina para evitar as recaídas e a transmissão da infecção aos mosquitos. Nas mulheres grávidas o tratamento radical deve ser feito após o parto, devido aos efeitos colaterais da primaquina
Caso utilize a amodiaquina, dar no primeiro dia 600 a 800 mg do medicamento; 400 mg no segundo dia e 400 mg no terceiro.

Tratamento em Áreas com P. falciparum Resistente

- Apresenta dois tipos de tratamento

Em áreas com P. falciparum sensível as associações antifólico-sulfamida, mas onde as amino-4-quinoleinas são ineficazes, medicar com: sulfadoxina, 1,5 grama, mais 75 mg de pirietamina  (dose unica) ou sulfalene 1,5  grama, mais 75 mg de pirimetamina (dose única).  Nos casos mais graves, convém adicionar a esses esquemas de tratamento 3 a 9 doses de quinina.
Em regiões com P. falciparum resistentes tanto às amino-4-quinoleinas como as associações antifólica-sulfamida, seguir um dos esquemas abaixo:
 
- Quinina: 1800 mg por dia, durante três dias, mas subdividindo as doses diárias em três, a serem dadas com 8 horas de intervalo
- Quinina: como citado acima, mais uma dose diária de 1 a 2 gramas de tetracilina (ou doxiciliclina, ou minociclina).

Tratamento de Malária Grave
Hospitalizar o doente, sempre que possível, e instituir imediatamente o tratamento parenteral. Inicia-se com a perfusão endovenosa de soro isotônico, contendo o bicloridrato de quina na dose de 10 mg/kg de peso do doente. Repetir essa medicação a cada 8 horas, até que o paciente seja capaz de receber tratamento por via oral, conforme os esquemas terapêuticos acima indicados.
Na malaria cerebral deve combater a infecção, reduzindo o edema cerebral, controlar as convulsões e o equilíbrio hidrelétrico. Diazepam é a droga mais indicada para controlar as convulsões , recomendo-se também o fenetoína e clorpromazina.

A medicação antimalaria e a dieta adequada são, em geral, suficientes para curar a anemia. Mas convém lembrar que frequentemente, os pacientes de áreas endêmicas já apresentavam certo grau de anemia antes da febre, devido a subnutrição, a ancilostomíase ou a outras causas, e requerem por isso um complemento de ferro na dieta, bem como ácido fólico pura atender à demanda aumentada  pela eritropoese.

Referência
 REY, Luís. Bases da Parasitologia Médica. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. 
                       

domingo, 11 de agosto de 2013

GOMES, A. P. Malária grave por Plasmodium falciparum.

http://www.scielo.br/pdf/rbti/v23n3/v23n3a15.pdf

PARENTE, A. T.; SOUZA, E. B. de; RIBEIRO, J. B. M.A ocorrência de malária em quatro municípios do estado do Pará, de 1988 a 2005, e sua relação com o desmatamento.

http://acta.inpa.gov.br/fasciculos/42-1/PDF/v42n1a05.pdf

ALECRIM, M. das G. C. Tratamento de crianças com malária pelo Plasmodium falciparum com derivados da artemisinina.

http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v36n2/a05v36n2.pdf

Peregrino africano é diagnosticado com malária na JMJ




Um peregrino africano de Guiné-Bissau que chegou ao Rio de Janeiro para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que aconteceu entre os dias 23 e 28 de Julho, foi diagnosticado com malária e segue internado no Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), em Manguinhos, na zona norte. A informação foi divulgada pelo Ministério da Saúde. O nome dele não foi divulgado, o estrangeiro estava hospedado numa paróquia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele teria chegado ao Rio no dia 10 de Julho, mas só foi diagnosticado com a doença no dia 17, quando foi internado. "Ele apresentou sintomas de febre alta, calafrios e sudorese, típicos de malária, e logo foi encaminhado para a internação. A doença leva de sete a 14 dias para se manifestar, por isso, quando passou pela triagem do aeroporto, assim que chegou, ainda não apresentava nenhum sintoma", disse o diretor do Departamento de Vigilância e Saúde do Trabalhador, Guilherme Franco Neto, do Ministério da Saúde, durante coletiva de imprensa, no Forte de Copacabana, zona sul.  

Fonte: Diário de Guarapuava


Planta pode ser usada como alternativa para tratamento de malária



O estudo, conduzido pelo pesquisador do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Universidade Estadual de Campinas (CPQBA/Unicamp), Pedro Melillo de Magalhães, identificou resultados positivos em alguns pacientes dos grupos participantes da pesquisa. “O uso do chá antimalárico foi analisado em algumas cidades brasileiras em que a incidência da doença é grande. Os resultados foram significativos e comprovaram a eficácia do potencial terapêutico da ingestão de artemisinina, substância extraída do topo da planta”, explicou. Magalhães afirma que o produto pode ser uma alternativa para comunidades que vivem em regiões de difícil acesso na Amazônia, da mesma forma como está sendo aplicada em países africanos.  “A forma de infusão das folhas vem sendo adotada com sucesso em alguns países da África, no Brasil testamos a infusão em alguns municípios do Amazonas e do Pará e os resultados confirmaram o potencial para o tratamento da malária”, informou. Ele ressaltou que esse é um estudo ao qual o grupo se dedica há mais de 20 anos. Ele defende a possibilidade de usar as folhas da planta como uma forma terapêutica simples, porém utilizando alta tecnologia. “Todos nós sabemos que o tratamento da malária precisa ser bem conduzido e isso envolve uma série de etapas como medicamentos eficazes, diagnósticos e atendimentos rápidos, além do acompanhamento médico em todo o processo. A substância extraída da planta pode gerar derivados importantes na terapia da doença”, disse. No Brasil, as pesquisas buscaram adaptar a artemísia às condições tropicais e otimizar a produção da artemisinina contida nas suas folhas para, dessa forma, produzir em escala industrial o medicamento.  

Fonte: Folha UOL


Cientistas brasileiros avançam na busca de medicamento para curar a malária



Depois de dois anos de estudos, grupo de pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com o Instituto Biológico de São Paulo, já conseguiu percorrer metade do caminho no projeto que tem como objetivo descobrir um medicamento de cura da malária. De acordo com o instituto, os tratamentos disponíveis estão se tornando obsoletos porque o agente causador da doença aprendeu a "driblar" o efeito dos remédios existentes. A busca da equipe de estudiosos concentra-se, agora, em atacar uma das proteínas que alimentam o parasita Plasmodium falciparum, o agente causador do tipo mais agressivo da doença. O professor Rafael Victório Carvalho Guido, coordenador do estudo, explicou que existem nove proteínas agindo em conjunto para o ciclo vital do parasita: uma delas, o enolase, é fundamental para a sobrevivência do Plasmodim falciparum, a inibição da ação dessa enzima, responsável por levar energia ao parasita, pode levar o Plasmodium à morte. Ele reconheceu, contudo, que ainda existem muitas barreiras a serem vencidas até chegar à fase de ensaios clínicos e ao remédio de combate efetivo da malária. Passo importante nessa meta foi à definição inédita no mundo da estrutura tridimensional em alta resolução do enolase. A partir daí, os cientistas pesquisaram uma molécula capaz de fazer a ligação com o conjunto de enzimas e neutralizar a ação do enolase na via glicolítica ou no processo de produção de energia para o parasita.

Fonte: Portal zero hora

Surto de malária em Acrelândia preocupa gestão municipal




Um surto de malária em Acrelândia assusta a gestão municipal. Mais de 300 casos foram confirmados durante este ano e o prefeito assume que não tem condições de conter o avanço da doença. A Unidade Mista de Saúde do município de Acrelândia registra até 10 casos por dia. O projeto de assentamento Porto Luiz é o local onde há maior incidência. De acordo com o agente de saúde Valmir da Silva, o problema é maior por causa da falta de estrutura para combater a doença. "Esses dias até foi cortado o combustível e a gente ficou sem fazer lâmina, sem levar a medicação", diz Valmir. O aumento nos casos de malária em Acrelândia ocorre há cerca de um ano. Apenas neste mês de julho, 75 casos da doença foram confirmados na zona rural. Os funcionários que há anos trabalham no combate a malária no município estão revoltados com a falta de estrutura de trabalho. "No caso da falta de combustível, o pessoal levava o remédio todo para a casa, porque a Sucam trabalha todo dia de ir fazer esse tratamento na casa do cidadão", afirma Valmir. O prefeito Jonas Dalas admite que o município não tem condições de combater os casos, já que não dispõe de recursos suficientes."É um município que está realmente necessitado. Muito carente e precisa dessa parceria do governo do estado. Se não tiver, realmente fica difícil trabalhar", diz. Fonte: Portal G1 Acre

Estudantes africanos criaram sabonetes que combatem a malária




Dois jovens estudantes cientistas ganharam um prêmio global por produzir sabonetes que inibem a contaminação da doença, que promete revolucionar o contato com o vetor. O projeto que orgulha Burkina Faso propõe eliminar uma doença que afeta não apenas o continente africano, mas diversas partes do mundo. A malária ganhou um forte rival, uma arma autêntica, que une ciência e criatividade diante das fragilidades de regiões precárias. O sabonete contra a malária deu aos jovens autores Moctar Dembele e Gerard Niyondiko, estudantes do Instituto Internacional de Engenharia de Água e Meio Ambiente 2iE, o título de vencedores da “Global Social Venture Competition”, da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos ($ 25 mil), com um trabalho que pode salvar milhões de vidas: criaram um sabonete com ervas locais, que repele o mosquito (Anopheles fêmea). A lavagem com o produto impede os mosquitos de se aproximarem do utilizador e a água usada na lavagem leva-o para as canalizações, impedindo o crescimento de larvas. Nos ingredientes constam manteiga de karitê, óleo de cidreira e outros produtos naturais que ainda são secretos, mas que deixam um cheiro na pele que repele os mosquitos.


Fonte: Revista Ciência Hoje

Malária - reportagem da série Doença do Silêncio.


Malária mata uma criança por minuto na África






A Organização das Nações Unidas (ONU) faz um alerta sobre as vítimas diárias da doença e a falta de fundos para combater novos casos. Segundo o Secretário-Geral, a malária mata uma criança a cada minuto no continente africano, Ban Ki-moon destacou que 50 países estão trabalhando para reduzir os casos de malária em 75% até 2015. Mas ele lembra que a doença continua afetando de forma severa os países menos desenvolvidos, principalmente na África, e que milhões de pessoas continuam sem acesso a tratamentos que podem salvar vidas. O Secretário-Geral destaca ainda que fica mais difícil combater a malária com o aumento de parasitas resistentes a medicamentos e de mosquitos que resistem a inseticidas. Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, faltam US$ 3 bilhões por ano para atingir acesso universal à prevenção, diagnóstico e tratamento da doença. Ban Ki-moon afirma que o déficit dificulta as intervenções na África, em especial a distribuição de mosquiteiros com inseticidas. Neste ano, o tema do Dia Mundial da Malária é “Invista no Futuro. Combata a Malária”. O chefe da ONU lembra que controlar a doença melhora a saúde humana, o bem-estar social e o desenvolvimento econômico. No ano passado, a transmissão da malária foi registrada em 99 países, de acordo com a OMS. A estimativa da agência é de 219 milhões de casos ocorridos em 2010, sendo que 660 mil pessoas morreram, a maioria crianças menores de cinco anos de idade.


Fonte: Rádio ONU

Saiba mais sobre a malária



Mosquitos ajudam no combate à malária e à filariose.


Os mosquitos que transmitem a malária e a filariose linfática ajudam a combater as duas doenças por meio de engenharia genética e da alteração de seu sistema imunológico, apontam dois estudos divulgados pela revista "Science". No caso da malária, cientistas franceses e alemães descobriram uma possível arma para combater a doença no genoma do Anopheles gambiae, o mosquito vetor do parasita que causa a forma mais grave da doença na África. No da filariose, também conhecida como elefantíase, pela inflamação severa e o inchaço que causa nas partes do corpo da pessoa afetada, cientistas da Universidade de Oxford descobriram que infectar os mosquitos com um parasita bacteriano deve ajudar a prevenir a doença. No primeiro estudo, cientistas do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), na Alemanha, e do Instituto Nacional de Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm), na França, descobriram que as variações de um gene afetam a capacidade do mosquito de resistir à infecção do parasita da malária. "Os parasitas devem passar parte de sua vida nos mosquitos e outra nos seres humanos", afirmou Stéphanie Blandin, da Inserm. "Ao aprender como os mosquitos resistem à malária podemos encontrar novos instrumentos para controlar a transmissão aos seres humanos em zonas frequentes", acrescentou. O segundo estudo indicou que infectar os mosquitos com uma parasita bacteriana poderia contribuir no combate à filariose linfática, uma doença que afeta mais de 120 milhões de pessoas no mundo todo. Segundo os pesquisadores, se o mosquito for infectado com a bactéria Wolbachia, seu tempo de vida pode ser reduzido.


Fonte: Folha UOL

sábado, 10 de agosto de 2013

SUÁREZ-MUTIS, M. C. et al. Efeito de ação educativa participativa no conhecimento de professores do ensino básico sobre malária.

http://www.scielo.br/pdf/rsp/v45n5/2931.pdf

TAUIL, P. L. et al. Malária vivax com tempo de incubação prolongado, detectada no Distrito Federal: relato de três casos.

http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v43n2/23.pdf

ALMEIDA, L. B. de; BARBOSA, M. das G. V.; MARTINEZ-ESPINOSA, F. E.Malária em mulheres de idade de 10 a 49 anos, segundo o SIVEP- Malária, Manaus, Amazonas, 2003-2006.

http://www.scielo.br/pdf/rsbmt/v43n3/18.pdf



SÁ, I. M. de. A resistência à cloroquina e a busca de antimalariais entre as décadas de 1960 e 1980.

http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v18n2/08.pdf




Ainda não há uma vacina eficaz contra a malária, havendo apenas estudos de alcance reduzido sobre testes de uma vacina sintética desenvolvida por Manuel Elkin Patarroyo em 1987. A melhor medida, até o momento, é a erradicação do mosquito Anopheles que transmite o parasita Plasmodium, que causa a doença. Como medida de prevenção individual para evitar ser picado pelos mosquitos, se faz necessária à instalação de telas de proteção nas janelas, portas e nas aberturas externas da habitação, usar mosquiteiros para camas ou redes.

 Telas de proteção nas janelas.

Recomenda-se também impregnar com piretróides (inseticida) mosquiteiros e cortinas, essas barreiras ajudam a manter os mosquitos longe de pessoas e reduzir significativamente as taxas de infecção e transmissão da malária. Estima-se que mosquiteiros tratados com inseticida (MTI) sejam duas vezes mais eficazes que os mosqueteiros não tratados e aumentam em 70% a proteção em comparação com nenhum mosqueteiro. Uma vez que o mosquito Anopheles se alimenta à noite, o método preferível é pendurar um mosqueteiro grande acima do centro de uma cama, cobrindo-a completamente. Evitar tomar banho em lagos à noite e ao amanhecer em áreas endêmicas, pois é quando o mosquito está mais ativo.
Outros métodos como os repelentes de insetos também são eficazes, a roupa deve cobrir a pele nua o mais completamente possível de dia. O mosquito não tem tanta tendência para picar o rosto ou as mãos, onde os vasos sanguíneos são menos acessíveis, enquanto as pernas, os braços ou o pescoço possuem vasos sanguíneos mais acessíveis.
A quimioprofilaxia é uma alternativa que oferece mais eficiência, particularmente para aqueles que irão expor-se durante períodos determinados em regiões com incidência da malária; a cloroquina é a droga mais usada, devendo um adulto tomar 300 mg, uma vez por semana, enquanto permanecer na área endêmica. Pode-se também usar a amodiaquina, 400 mg para um adulto, semanalmente. Ao regressar da zona malarígena, convém prolongar essa mediação durante quatro a cinco semanas.



Existem medidas de saúde pública eficaz de prevenção coletiva, como a drenagem de pântanos e outras águas paradas, pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor, aterro, limpeza das margens dos criadouros, modificação do fluxo da água, controle da vegetação aquática, melhoramento da moradia e das condições de trabalho e o uso racional da terra.

Referência

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11ª ed. São Paulo: Atheneu, 2010. p. 159.
No Brasil, a distribuição geográfica da malária é extensa. A área endêmica original, delimitada nos anos 50 por meio de estudos entomológicos e detecção de casos, abrangia cerca de 6,9 milhões de km2 do território brasileiro. Na Amazônia onde, ao final de 2004, viviam cerca de 22 milhões de habitantes, verifica-se uma concentração crescente de casos de malária nos últimos anos passando de 94,9% em 1980, para 99,7% dos casos em 2004, sendo que dos estados amazônicos, neste último ano, o Amazonas é o que concentra o maior número absoluto de casos de malária.

Embora o País apresente uma extensa superfície de seu território onde há risco de transmissão de malária, este não é o mesmo em todas as áreas geográficas, originando níveis endêmicos diferentes na dependência da variedade e intensidade de associação dos fatores de risco.
A Amazônia possui características geográficas e ecológicas altamente favoráveis à interação do parasito (plasmódio) e do mosquito vetor (anofelino), com os fatores socioeconômicos, políticos e culturais, determinando um nível de endemicidade, classificados como áreas de baixo, médio e alto risco malarígeno.
Já na área não-endêmica, as condições não são muito favoráveis à interação dos fatores que determinam a malária. A baixa receptividade e vulnerabilidade, que são condições criadas pela presença do anofelino vetor, pela presença de indivíduos portadores de parasitos e a existência de outros fatores que favorecem a transmissão da doença, são desfavoráveis ao reestabelecimento da transmissão, o que impõe a manutenção permanente de um sistema de vigilância para a malária, objetivando detectar precocemente a introdução de casos novos da doença.
Considerando a capacidade de combinação entre os diversos fatores que participam do processo de transmissão, pode-se identificar três estratos de risco com níveis endêmicos diferenciados: alto, médio, baixo e áreas sem transmissão de malária.

Fatores de Risco e Estratos Epidemiológicos
 Fator de risco para a malária é qualquer variável ou conjunto de variáveis que tenham relação direta com a incidência da malária, ou seja, qualquer condição que aumente a probabilidade de surgimento, agravamento e morte pela doença num determinado momento. Os fatores de risco podem ser classificados, entre outros, como:

- Biológicos – relacionados à população suscetível, agente etiológico e presença do vetor;
- Ambientais – modificações do meio ambiente, temperatura, umidade e presença de criadouros;
- Econômicos – relacionados à baixa renda, ao desemprego e às condições de trabalho, moradia e migrações;
- Socioculturais – relacionados ao nível educacional, hábitos e costumes culturais e religiosos;
- Infraestrutura de Serviços de Saúde – relacionados à insuficiência de serviços de saúde.

Referência

NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 11ª ed. São Paulo: Atheneu, 2010. p. 152.



A transmissão natural da malária ao homem se dá quando as fêmeas de mosquito anofelinos do gênero Anopheles, parasitada com esporozoítos em suas glândulas salivares, inoculam estas formas infectantes durante o repasto sanguíneo. As fontes de infecção humana os mosquitos são pessoas doentes ou mesmo indivíduos assintomáticos, que albergam formas sexuadas dos parasitos. Primatas não humanos podem funcionar como reservatórios de Plasmodium malariae.

Ciclo Biológico do protozoário causador da Malária.

A infecção natural do homem com espécies de plasmódios simianos é pouco relatada. A transmissão pode ocorrer de diversas formas, pode ser acidentalmente, como resultado de transfusão de sangue, o compartilhamento de seringas contaminadas e acidentes de laboratórios. A infecção congênita tem sido também raramente descrita.

Ciclo Biológico da Malária

  
Referência

REY, L. Bases da Parasitologia Médica. 3ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010. p. 
O diagnóstico de certeza da infecção da malária só é possível pela demonstração do parasito através de exames de sangue. No entanto em virtude de seu padrão epidemiológico diverso, várias tem sido as abordagens para se diagnosticar a malária. A Organização Mundial de Saúde (OMS) atualmente aconselha para o controle da malária no mundo tanto o diagnóstico clínico quanto o laboratorial como norteadores da terapêutica da doença.

Diagnóstico Clínico
Torna-se fácil quando os pacientes indicam ter passado por região endêmica ou se submetido à transfusão sanguínea suspeita, e apresentam sintomas típicos. Entretanto, pacientes provenientes de região endêmica podem ter o parasito e não apresentar nenhum sintoma, mascarando alguma alteração da saúde. Havendo impossibilidade de se comprovar a presença do parasito, recomenda-se instituir a terapêutica antimalárica para se evitarem complicações do caso.

Diagnóstico Laboratorial
O diagnóstico de certeza da malária só pode ser feito pelos exames que demonstram o parasito ou os antígenos relacionados ao plasmódio.

   - Exame Parasitológico
Apesar do grande avanço das técnicas imunológicas para o diagnóstico da malária, os exames parasitológicos (hemoscopia) continuam sendo os mais seguros. Quanto mais breve for feito o diagnóstico melhor será para o paciente, evitando-se as complicações futuras.
A grande vantagem desses exames parasitológicos de sangue é que eles permitem a identificação especifica do parasito, o que tem grande importância terapêutica, especialmente nos casos de P. falciparum cloroquino-resistente, que requer tratamento o mais preciso e precoce possível.

   - Imunológico
Vários testes imunológicos tem sido desenvolvidos com o intuito de dar mais segurança e rapidez ao diagnóstico da malária, mas todos eles ainda esbarram em alguns problemas: sensibilidade, especificidade e preço elevado. De toda forma, em bancos de sangue ou em regiões de difícil acesso, onde os exames parasitológicos seriam impraticáveis, esses métodos tem grande utilidade. Eles consistem na detecção de antígenos derivados dos plasmódios, presentes no sangue hemolisado.

   - Epidemiológico
O diagnóstico epidemiológico da malária visa avaliar a prevalência da doença em uma população de determinada região. Uma forma antiga e até hoje empregada é a do “índice esplênico”, que significa a porcentagem de pessoas com baço aumentado de volume em determinado grupo de idade ou uma amostra da população total. Isto é, o grau de esplenomegalia serve para medir a endemicidade da malária na região.

Referências

NEVES, D. P. Parasitologia Dinâmica. – 3. ed – São Paulo: Atheneu, 2009. p. 204-205.

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. – 11. ed. – São Paulo: Atheneu, 2010. p. 154.

SINTOMAS

A malária é uma doença sistêmica que provoca alterações na maioria dos órgãos, variando, porém sua gravidade dentro de amplos limites, desde as formas benignas até mesmo as muito graves e fatais.
A evolução da doença depende de diversos fatores: espécie e cepa do plasmódio, constituição genética e imunológica do paciente. Em geral, as formas fatais ocorrem em pacientes adultos ou jovens, não residentes em áreas malarígenas, portanto sem nenhuma defesa específica pré-existente, e que adquiriram o Plasmodium falciparum.
O período de incubação da doença varia de acordo com a espécie do plasmódio: 7 a 10 dias para P. falciparum, 10 a 15 para P. vivax e 30 dias para P. malariae; já o período pré-patente dá-se o seguinte: P. falciparum, mínimo de 5 dias, média de 8 a 12 dias; P. vivax, no mínimo de 8 dias, média de 13 a 17 dias; P. malariae, mínimo de 14 dias, média de 28 a 37 dias.






Apenas o ciclo eritrocítico assexuado é responsável pelas manifestações clínicas e patologia da malária. A passagem do parasito pelo fígado (ciclo exo-eritrocítico) não é patogênica e não determina sintomas. A destruição dos eritrócitos e a consequente liberação dos parasitos e de seus metabólitos na circulação provocam uma resposta do hospedeiro, determinando alterações morfológicas e funcionais observadas no indivíduo com malária.
A patogenia da doença reside em dois pontos fundamentais: anóxia decorrente de anemia (destruição das hemácias) e processos imunológicos. Febre, anemia e acesso malárico são os três sintomas patognomônicos da malária. A febre tem como causa os pigmentos maláricos (substâncias pirogênicas) e a liberação de pirogênio endógeno pelos monócitos e macrófagos, ativados pelo parasito.
A anemia tem como causa vários fatores: destruição de hemácias durante as esquizogonias sanguíneas; destruição de hemácias parasitadas pelo baço; destruição de hemácias sem parasitos, nas sensibilizadas por antígenos parasitários, fazendo com que o baço não as reconheçam como normais e as destrua; hemólise de hemácias normais, por autoanticorpos, com afinidades tanto para o parasito como para a hemácia; disfunção da medula óssea estimulada por ação de citocinas, provocando uma diseritropoiese.

Referências

NEVES, D. P. Parasitologia Dinâmica. – 3. ed – São Paulo: Atheneu, 2009. p. 197-198.

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. – 11. ed. – São Paulo: Atheneu, 2010. p. 150-151.

REY, L. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais. – 4. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. p. 226-229.

Malária - Prevenção


Malária


Vacina promissora contra a Malária


Parasita Causador da Malária - Plasmodium falciparum


INTRODUÇÃO A MALÁRIA

Apesar de muito antiga, a malária continua sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Estimasse que a doença afeta cerca de 300 milhões de pessoas nas áreas subtropicais e tropicais do planeta, resultando em mais de um milhão de mortes a cada ano, na grande maioria, crianças.
A malária foi primeiramente citada por Hipocrátes na era pré-Cristã, foi ele que descreveu suas características de decorrência sazonal e de febre com padrão paroxístico (em maior intensidade) e intermitente. Entretanto foi somente no inicio do século XIX que o termo malária teve origem. Escritores italianos defendiam a tese de que a doença era adquirida ao se respirar o ar pestilento dos pântanos (mau área), ou mau ar. Outras denominações dessa doença são: paludismo, febre palustre, impaludismo, maleita ou sezão.
Em 1880, o médico francês, Charles Louis Alphonse Laveran, conseguiu observar os organismos em movimento ao examinar, a fresco, o sangue de um paciente com malária. A descoberta de que a doença era uma hemoparasitose foi posteriormente confirmada por Gerhardt, em 1884, que conseguiu produzir a doença a partir da transfusão de sangue entre uma pessoa doente e uma pessoa sadia. Em 1885, Golgi e cols. descreveram o ciclo assexuado do parasito (por isso denominado cilo de Golgi), sem contudo identificar a espécie. Em 1885, Marchiafava e Celli, criaram o gênero Plasmodium, para designar os agentes da doença e em 1891, Romanowisky, inventou um método de coloração e descreveu a morfologia desses parasitos sanguíneos.



Formas principais do Plasmodium - A – Forma esporozoíto; B – Forma merozoíto.

Quanto à transmissão, continuava a incógnita.  Se naquela época os cientistas estivessem dado atenção aos conhecimentos das pessoas residentes em zonas onde encontravam a malária, a transmissão poderia ter sido descoberta antes, pois negros da África Oriental e os abissínios já sabiam que, quando desciam das montanhas acompanhando o gado e eram picados por mosquitos adoeciam de uma “febre mosquito” também denominada MBou e Binbi. Em 1884, Manson, ao estudar a transmissão de Wuchereria bancrofti por mosquitos, levantou a hipótese de que os mesmos poderiam ser os transmissores da malária.

Lâmina de Wuchereria bancrofti.

Ronald Ross em 1897, trabalhando na Índia descobriu oocistos no estômago de mosquitos que haviam se alimentado sobre um paciente com malária. No ano seguinte, e ainda na Índia, Ross conseguiu transmitir a malária aviária, passando o plasmódio de ave a ave através de um mosquito do gênero Culex. Esses estudos permitiram que os pesquisadores italianos Gassi, Bastianelli e Bignami, em 1898 e 1899, tivessem a glória de descobrir o desenvolvimento completo das três espécies de plasmódio humano em anofelinos. A partir do conhecimento do ciclo de vida do parasito, diferentes estratégias de ataque a doença tem sido propostas visando a interrupção da sua transmissão.

Referências
NEVES, D. P. Parasitologia Dinâmica. – 3. ed – São Paulo: Atheneu, 2009. p. 190.

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. – 11. ed. – São Paulo: Atheneu, 2010. p. 143.


Malária - Febre alta e dores musculares são os principais sintomas


Descoberto Remédios da Malária